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Ponta Porã perde duas referências: na saúde e educação

Médico Astúrio Marques e professora Íria Miltos Urizar faleceram nesta sexta-feira, 10

Ponta Porã perdeu, nesta sexta-feira (10), duas referências profissionais em suas respectivas áreas de atuação: Astúrio Marques e Íria Miltos Urizar.

O médico Astúrio Marques simboliza o que há de mais humano e com reconhecimento de generosidade atuando na área de medicina.

A professora Íria Miltos Urizar também simboliza, na área educacional, referência de humanidade, caráter e sobretudo, alto grau de profissionalismo.

Tudo que poderia ser apontado como reconhecimento ao médico Astúrio Marques e à professora Íria Miltos Urizar não expressaria, na essência, o que ambos representam para Ponta Porã em termos de referências.

O médico Astúrio Marques: referência humanizada da saúde

Astúrio Dias Marques, ginecologista e obstetra, atuava em Ponta Porã desde 1955, depois de se formar em Medicina no Rio de Janeiro, e tornou‑se um dos médicos mais conhecidos e respeitados da fronteira Brasil–Paraguai.

Com décadas de atendimentos, muitos pontaporanenses nasceram em suas mãos e, mais tarde, passaram por consultas seus próprios filhos e netos, construindo uma trajetória em que a clínica se misturava a uma relação quase familiar com a comunidade.

O reconhecimento ao Dr. Astúrio vai além do currículo: ele era lembrado como um profissional que não diferenciava paciente conforme condição financeira, costumando atender também pessoas que não dispunham de recursos, fato destacado por familiares e ex‑pacientes em relatos públicos. Essa postura solidificou sua imagem como símbolo da medicina humanizada na região, elemento reforçado em notas oficiais e manifestações de autoridades, que o classificaram como “pioneiro da medicina em Ponta Porã” e referência de dedicação à vida e à saúde.

Íria Miltos Urizar: referência na educação pontaporanense

A professora Íria Miltos Urizar dedicou sua trajetória à educação pública em Ponta Porã, atuando como diretora da Escola Estadual Mendes Gonçalves, instituição central do ensino de jovens e adultos da cidade. Sua imagem pública é associada à defesa de um ensino de qualidade, à gestão organizada da escola e ao envolvimento em iniciativas que ultrapassavam a sala de aula, como a articulação de políticas de merenda e apoio aos estudantes.

Ao longo de sua atuação, Íria ganhou reconhecimento formal da Câmara Municipal de Ponta Porã, que a homenageou com títulos de “Cidadã Pontaporanense” e “Mérito Legislativo”, justamente em razão do compromisso com a formação educacional e do papel de liderança em um ambiente escolar marcado por desafios estruturais.

Para muitos colegas e alunos, Íria representava não apenas a figura da diretora, mas a ideia de que educação pública pode ser conduzida com ética, rigor e sensibilidade, tornando‑a referência em termos de humanidade, caráter e profissionalismo.

LUTO

O impacto da perda para a cidade é significativo.

A morte de Astúrio Marques e Íria Miltos Urizar, em um mesmo dia, reforça o sentimento de que Ponta Porã perdeu duas “referências vivas” de sua história recente: uma no campo da saúde, outra na educação.

Em um contexto em que o município tem investido em políticas públicas de saúde com destaque nacional — ranking de acesso à saúde, cobertura vacinal e educação sanitária — a ausência de profissionais como Astúrio, que atuaram diretamente na ponta do atendimento, evidencia um corte na memória coletiva e no repertório de modelos humanos de atuação profissional.

Na educação, com a perda de Íria, a cidade perde não apenas uma gestora escolar, mas uma espécie de “ponto de equilíbrio” entre burocracia, necessidades dos estudantes e desafios de uma rede pública que lida com limitações de estrutura e recursos.

A sensação generalizada entre colegas e familiares é de que, em ambos os casos, a cidade deixa de contar com pessoas cujo exemplo de trabalho e de humanidade servia como referência concreta para novas gerações de profissionais e líderes locais.

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