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Ponta Porã, o Carnaval e seu futuro político

Por Carlos Monfort (*)

Nesta altura do campeonato, ninguém mais tem dúvidas de que Ponta Porã deverá retomar sua representatividade política, outrora deixada para trás há mais de duas décadas.

Tanto na esfera estadual, quanto na federal.

Dois nomes aparecem bem avaliados neste início do ano eleitoral: Hélio Peluffo Filho e Carlos Bernardo, respectivamente pré-candidatos a deputado estadual e federal.

No mapa político, um pela direita (Hélio no PP) e outro pela esquerda (Bernardo no PT).

Se formos avaliar na essência e na pontinha da letra, o último deputado federal nato de Ponta Porã foi Gandi Jamil, eleito lá nos idos anos de 1986, exercendo o mandato até 1990.

Tivemos Flávio Augusto Derzi, cuja primeira eleição aconteceu justamente em 1990 e a última em 1998, tendo falecido em 2001.

Mas, devido a sua atuação política forte e sempre presente, Flávio Derzi se tornou um parlamentar do Mato Grosso do Sul.

Na esfera estadual, o ex-vereador, ex-presidente da Câmara, ex-prefeito, ex-deputado estadual e atual Conselheiro presidente do Tribunal de Contas do Estado, Flávio Esgaib Kayatt foi o último representante genuinamente pontaporanense a ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa.

Kayatt é a liderança mais autêntica e promissora que Ponta Porã viu nascer.

Vereador por Ponta Porã entre 1993/1996; Presidente da Câmara Municipal no biênio 1995/1996; Vice-Prefeito de Ponta Porã entre 1997/1998; Deputado Estadual por 3 legislaturas: 1999/2002, 2003/2004 e 2015/2017 e Prefeito de Ponta Porã por 2 legislaturas: 2005/2008 e 2009/2012.

Foi empossado Conselheiro no TCE/MS em novembro de 2017.

Portanto, é sem quaisquer questionamentos, a maior liderança filho de Ponta Porã até os dias atuais.

Partindo dessa seara, desde a última eleição de Flávio Kayatt em 2014, Ponta Porã não ocupou mais cadeira no Parlamento Estadual, e desde 2001 com a morte de Flávio Derzi, deixou de existir na Câmara Federal.

E esse cenário pode mudar nas eleições de 2026, ou seja, exatos 25 anos após a última eleição em que Ponta Porã elegeu seu representante nato no âmbito federal e há 12 anos no estadual.

Hélio Peluffo Filho, arquiteto, filho da terra, ex-vereador, ex-presidente da Câmara de Ponta Porã é o nome mais forte hoje com chances de retomar nossa representatividade na capital do Estado, via Assembleia Legislativa.

Prefeito por um mandato e meio (2017-2020/2021-2022) – renunciou para ser secretário de Estado – Hélio personifica hoje o político emergente enquanto pré-candidato a deputado estadual.

Precisa aparar arestas, já que ao deixar a prefeitura deixou e criou rastro de obstáculos na seara política, bem como quando deixou prematuramente a pasta de InfraEstrutura no Governo do Estado.

Mas, Hélio depende mais dele e da consciência do eleitor pontaporanense para ser eleito. Também terá pela frente a forte chapa do seu novo partido, o PP.

Na esfera federal, o empresário binacional Carlos Bernardo é o nome por Ponta Porã mais forte – e pelo menos até aqui, o único – como pré-candidato a deputado federal.

Na eleição passada, Bernardo obteve quase 35 mil votos para o mesmo cargo eletivo.

Com a experiência de duas eleições – 2022 e 2024 – mais centrado e com discurso de projetos desenvolvimentista, destaca-se o hospital binacional de fronteira, Carlos Bernardo está no roll, conforme as pesquisas de intenção de voto já publicadas neste início do ano eleitoral, com grandes e reais possibilidades de ser eleito.

Uma vez em Brasília e Lula reeleito, uma coisa é certa: Carlos Bernardo será uma voz forte nos corredores do Congresso Nacional e do Palácio do Planalto, fruto de sua proximidade com o presidente Lula.

Mas, dentro desse cenário positivo para Ponta Porã no campo político, Hélio e Bernardo têm uma missão em comum à curto e médio prazo antes do pleito de outubro: convencer os quase 50% do eleitorado pontaporanense a sufragar o voto caseiro.

Esse percentual do colégio eleitoral de Ponta Porã – hoje de 68.121 eleitores (dados do TRE MS em dezembro de 2025) – vota em candidatos de outras cidades, cuja base eleitoral não é genuinamente a ´Princesinha dos Ervais´.

Portanto, Bernardo e Hélio – e os demais que se apresentarem por Ponta Porã – têm até as eleições de outubro, passando pelo Carnaval, os feriados prolongados e a Copa do Mundo – para convencer o eleitorado de votar em si, carreando essa gama de 34 mil eleitores de Ponta Porã que tendem a escolher um nome de fora na hora de votar.

Outra missão, além disso, é percorrer toda a faixa de fronteira, de Porto Murtinho a Mundo Novo.

(*) Jornalista; presidente do Clube de Imprensa de Ponta Porã.

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