Uma mulher trans foi brutalmente agredida e marcada com uma queimadura em formato de su4stic4 n4azist4 na manhã de sábado (14) em Ponta Porã, na região de fronteira com Pedro Juan Caballero. O caso é investigado como lesão corporal dolosa e crime de tortura pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, por meio do Setor de Investigações Gerais (SIG).
De acordo com informações da ocorrência, equipes da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul foram acionadas após denúncia de agressão e possível cárcere privado. Ao chegarem nas proximidades da rodoviária da cidade, os policiais encontraram a vítima com diversos ferimentos pelo corpo, incluindo hematomas na cabeça e no rosto, além de uma queimadura grave no braço esquerdo em formato semelhante à su4stica n4zist4.
Segundo o relato inicial da vítima aos policiais, ela teria sido levada, junto com seu então companheiro, até a residência de dois conhecidos. No local, as agressões teriam começado dentro de um escritório da casa e continuado posteriormente na área externa do imóvel.
A mulher relatou ter sido alvo de um ataque violento, sendo golpeada com um taco de sinuca e uma vassoura, além de receber socos, joelhadas e pisões. Ainda conforme a vítima, seu celular foi danificado com uma faca por uma das pessoas envolvidas, numa tentativa de impedir que ela pedisse ajuda.
O episódio mais chocante ocorreu quando, segundo a denúncia, um dos suspeitos teria ordenado que outra pessoa aquecesse uma faca, que posteriormente foi utilizada para queimar o braço da vítima, formando o desenho de uma suástica — símbolo associado ao n4zism0.
Com as informações repassadas, a guarnição policial foi até a residência indicada. Nas proximidades, um dos homens apontados como participante das agressões foi localizado e reconhecido pela vítima, recebendo voz de prisão em flagrante Durante conversa com os policiais, ele admitiu ter desferido dois socos na vítima e confessou que a segurou enquanto outros envolvidos realizavam as agressões.
Na sequência, os policiais se dirigiram até a residência dos outros dois suspeitos. Após tentativas de contato e com apoio de oficiais de dia e da Força Tática, um dos moradores abriu a porta e conversou com as autoridades.
Todos os envolvidos foram encaminhados para a 1ª Delegacia de Polícia Civil de Ponta Porã, onde o caso foi registrado e segue sob investigação. O suspeito preso foi conduzido no compartimento de presos da viatura, algemado, por questões de segurança durante as diligências.
A perícia técnica também foi acionada para realizar levantamentos no local apontado pela vítima. Entretanto, até o momento, nenhum objeto ilícito foi localizado na residência.
A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul apura agora a participação de cada envolvido no caso e trabalha para esclarecer as circunstâncias da agressão, que apresenta indícios de violência planejada e tortura.
