A postura de uma ex-aluna da Universidad Interamericana vem causando críticas no meio acadêmico após uma série de declarações e interpretações próprias sobre regras e procedimentos da educação superior no Paraguai.
Advogada no Brasil e atualmente estudante de Medicina em outra instituição, ela deixou a Interamericana e, desde então, passou a divulgar manifestações negativas sobre a universidade, apresentando interpretações sobre normas acadêmicas como se tivesse autoridade ou competência institucional para definir sua aplicação.
A situação chama atenção porque a profissional não representa nenhum órgão regulador da educação superior paraguaia, não exerce função pública no país e não possui qualquer atribuição institucional conhecida que lhe permita determinar regras, emitir decisões ou falar em nome das autoridades educacionais do Paraguai. Apesar disso, suas manifestações vêm assumindo um tom categórico, criando uma narrativa de supostas irregularidades e levando ao público interpretações particulares como se fossem conclusões oficiais.
O direito de criticar uma instituição é legítimo e deve ser respeitado. O problema surge quando uma opinião pessoal ultrapassa essa fronteira e passa a ocupar, na prática, o espaço reservado às autoridades responsáveis pela regulamentação e fiscalização do ensino superior.
Paraguai tem legalidade
No Paraguai existem órgãos legalmente constituídos para analisar instituições, interpretar a legislação dentro de suas competências, fiscalizar o cumprimento das normas e adotar as medidas administrativas cabíveis. Uma ex-aluna, independentemente de sua formação profissional no Brasil, não substitui essas autoridades.
A conduta também causa estranheza pelo fato de partir de uma profissional do Direito, área na qual o respeito às competências e aos limites de atuação deveria ser elementar. Ser advogada no Brasil não concede automaticamente autoridade jurídica ou administrativa para determinar como deve funcionar o sistema de educação superior paraguaio.
Da mesma forma, estudar Medicina no Paraguai ou ter frequentado anteriormente determinada universidade não transforma ninguém em representante dos órgãos educacionais daquele país.
Outro ponto que merece atenção é a insistência na divulgação de acusações que, conforme sustenta a Universidad Interamericana, não encontram respaldo nos atos oficiais aplicáveis à instituição. Se existem irregularidades, o caminho responsável é apresentar documentos, resoluções, processos ou decisões expedidas pelas autoridades competentes. Não é profissional criar interpretações particulares, transformá-las em certezas e disseminá-las entre estudantes e famílias como se fossem determinações oficiais.
A mudança da ex-aluna para outra instituição também torna necessária ainda mais cautela na avaliação de suas declarações. O fato, isoladamente, não retira seu direito de crítica, mas exige que eventuais acusações sejam sustentadas por elementos objetivos, justamente para que uma divergência pessoal ou acadêmica não seja confundida com análise técnica da legislação paraguaia.
A educação superior é assunto sério demais para ser conduzido por narrativas de redes sociais.
Questionamentos devem ser respondidos, denúncias comprovadas precisam ser investigadas e instituições devem cumprir rigorosamente a legislação.
Mas ninguém pode se autoproclamar autoridade e passar a ditar regras que somente os órgãos competentes podem estabelecer ou interpretar oficialmente.
No caso da Universidad Interamericana, qualquer discussão séria precisa partir dos atos oficiais e das autoridades paraguaias responsáveis pela educação superior. Fora desse campo, existe liberdade de opinião, mas não autoridade institucional. E essa diferença precisa ficar clara para estudantes, familiares e para toda a sociedade.
