Pré-candidato a deputado federal por Mato Grosso do Sul compara piso nacional ao do Paraguai, critica omissão de esquerda e direita sobre o tema e propõe crédito com juros baixos e industrialização como caminho para gerar renda no campo e na fronteira
O salário mínimo brasileiro, hoje em R$ 1.600, é “uma vergonha total” e está entre os piores da América Latina — a avaliação é do empresário e pré-candidato a deputado federal por Mato Grosso do Sul, Carlos Bernardo, em entrevista concedida à Rádio JF FM, de Carapó. Segundo ele, o valor pago aos trabalhadores brasileiros está muito abaixo do praticado até por países vizinhos, como o Paraguai, onde o piso equivale a cerca de R$ 2.400.
“O nosso salário mínimo é vergonhoso e os nossos políticos não estão nem aí. Ninguém fala nada — tanto da direita como da esquerda”, afirmou Bernardo, que é CEO do Grupo Monarca, conglomerado com atuação em agropecuária, mineração, transporte e banco digital no Brasil e no Paraguai.
Para o pré-candidato, a defasagem do piso nacional aparece de forma direta no bolso do trabalhador. Ele citou o preço da carne — hoje entre R$ 30 e R$ 40 o quilo — e de uma calça jeans, que pode custar de R$ 200 a R$ 300, como exemplos do descompasso entre renda e custo de vida. “Como que vai comer e se vestir com um salário como este?”, indagou.
Emprego e renda: as soluções apontadas por Bernardo
Bernardo defende que um salário mínimo mais alto teria efeito direto sobre a geração de empregos, e não o contrário, como argumentam críticos do reajuste. Segundo ele, empresários com maior capital de giro — citou como exemplo negócios com 600 a 700 funcionários — teriam mais condições de arcar com uma folha de pagamento maior, o que fortaleceria a economia local. “Se nós temos um salário mínimo decente, a gente tem capital de giro. Se eu tiver que pagar um pouco mais, não importa: eu vou ter mais condições para poder pagar todos os meus funcionários”, declarou.
Outra bandeira do pré-candidato é o crédito com juros baixos para pequenos e médios produtores rurais. Bernardo comparou as taxas cobradas no Brasil — que classificou entre 12% e 14% ao ano — com os juros de 3% a 4% praticados no Paraguai, e defendeu financiamento facilitado, sem a exigência de garantias como imóveis ou terras, hoje comuns para viabilizar o custeio agrícola.
Ele também defendeu a industrialização da produção agropecuária brasileira como forma de reter valor e gerar mais empregos dentro do país, em vez de exportar apenas matéria-prima — carne, soja e milho — para outros mercados. Na mesma linha, propôs a criação de zonas francas em cidades da fronteira com o Paraguai para atrair indústrias, montadoras e fabricantes de máquinas agrícolas, aproveitando o fluxo de comércio que deve crescer com a Rota Bioceânica.
Bernardo defendeu ainda a jornada de trabalho de cinco dias por semana como regra geral, permitindo o trabalho aos sábados apenas mediante pagamento de hora extra, e citou a tributação de apostas esportivas (bets) e do ouro como fontes de arrecadação que, segundo ele, deveriam ser direcionadas a investimentos produtivos. “As bets tinham que pagar 30% de imposto”, afirmou, ao comparar a tributação do setor com a da loteria tradicional.
